Uma das maiores deficiências da minha formação foi a negligência no estudo de uma segunda língua. Não necessariamente do inglês. Poderia ter sido qualquer uma das línguas de destaque internacional, como o alemão pela qual tenho grande admiração. Meu entendimento é que uma segunda língua melhora não só a comunicação, mas a cognição como um todo.
Por necessidades do dia a dia, acadêmicas, profissionais e até de entretenimento, obviamente, a escolha inicial mais acertada é o inglês. Tive aulas durante o período escolar que "arranharam" de maneira muito tímida elementos básicos da língua. Não tive a oportunidade de realizar um curso focado unicamente no inglês, embora sempre o desejasse. Os anos passaram e o meu aprendizado da língua se deu unicamente por vontade própria, lendo livros na língua inglesa, assistindo filmes e séries. Entretando, aprender desta forma, sem método e sem uma prática deliberada não melhora o desempenho na língua. Amplia vocabulário, mas não internaliza as estrutruras permitindo um avanço real. Deste modo, meu conhecimento em língua inglesa traduz-se em obter mais ou menos uns 60% de compreensão em reading (leitura) e 15 a 25% de compreensão em listening (audição). Em speaking (fala) não obtenho nem 10% de desempenho. Estas notas que me dou dependem, obviamente, do contexto: em conteúdos acadêmicos tenho um desempenho superior ao de situações triviais cotidianas (haja visto que leio muito sobre as minhas áreas de atuação acadêmica).
Este ano decidi focar em reverter esta situação. Sei que pode ser tarde do ponto de vista da neuroplasticidade, porém, a necessidade e a vontade de aprender falam mais alto. Tracei um plano de estudos que compatilho a estrutura aqui.
Método de aprendizado
A primeira etapa é estabelecer o método de aprendizado. O método mais eficaz que conheço e que sempre pratiquei, mesmo quando não conhecia ainda as definições, é o da prática deliberada. A prática deliberada consiste em um método de aprendizado intencional com foco em alançar o maior desempenho possível. Ele consiste nas seguintes etapas:
- Traçar objetivos claros;
- Focar nas fraquezas;
- Obter feedback imediato;
- Superar os limites;
- Repetição inteligente.
O que diferencia a prática deliberada da prática comum é a intencionalidade, o desconforto e a obteção de feedback imediato. Esta estrutura é poderosa e capaz de obter avanços rápidos em qualquer área.
Mas como inserimos no contexto de aprendizado de um idioma? Bom, cada etapa é relativamente simples. Nosso objetivo é melhorar no inglês focando em uma meta real como, por exemplo, realizar um exame de proeficiência como o TOEFL e obter uma pontuação aceitável. Nossas fraquezas são rapidamente identificáveis: Meu listening é ruim? Não consigo ver um filme sem legenda? Não compreendo passagens de um livro? Obter o feedback imediato é a parte mais difícil de todo o processo, pois exige um mestre ou uma ferramenta que auxilie nas correções imediatas; penso que hoje este papel pode parcialmente ser substituído por ferramentas de IA. Superar os limites siginica sempre buscar a superação de platôs, ou seja, ao alcançar um determinado nível, expor-se imediatamente a um nível mais avançado e díficil. Por fim, a repetição inteligente é trilhar o caminho percorrido novamente, buscando a fixação, para isto deve-se focar nos elementos principais da atividade realizada.
Ferramentas
Materiais para aplicar a prática deliberada não faltam quando se trata de aprender inglês. Eu estou me concentrando, particularmente, em alguns:
- Livros em inglês - são a forma pela qual mais gosto de aprender. Escolhi livros técnicos, de literatura e populares da atualidade para lê-los até a exaustão (ler e reler capítulos, fixando as passagens mais difíceis e consultando palavras desconhecidas no dicionário ou na internet).
- Podcasts em inglês - a primeira leva de podcasts que tenho ouvido são aqueles focados unicamente em aprendizado de inglês (para níveis iniciante e intermediário). Após algumas semanas focando unicamente neles, quero começar a praticar com podcasts de assuntos específicos.
- Filmes e séries - a oferta é praticamente ilimitada. No ínicio usam-se as legendas e alcançado-se um nível relativamente bom de compreensão, assiste-se sem elas. A prática é a mesma da leitura: repetir trechos, buscar a comprensão das passagens mais díficeis.
Feedback imediato
Não tenho professor particular e nem almejo contratar. Mas uma estratégia que tenho adotado é a de usar a IA a meu favor e me comunicar com ela em inglês, pedindo correção imediata. Para escrita é perfeitamente adequada, mas para speaking, não tem se mostrado muito eficaz. Esta é a dificuldade maior do meu plano no momento, que pretendo superar buscando apoio de amigos que já falam inglês ou procurando ajuda em grupos acadêmicos voltados para a prática da fala.
Paciência
Em todo o processo de aprendizado uma das tarefas mais primordiais é manter a calma e a serenidade. O avanço é lento, porém não linear conforme avançamos os platôs. Manter a paciência e o foco é algo que precisa estar no método. O gerenciamento das emoções, alívio da ansiedade e compreensão dos próprios limites é um desafio de autoconhecimento, ainda mais quando se trata de uma mente inquieta como a minha, com ciclos de hiperfoco. A maneira que encontrei de lidar com isto é definir metas em um range que vai de um desempenho mínimo aceitável até um máximo desejável: o mínimo é uma nota adequada no exame TOEFL em até 12 meses, já o máximo, proeficiência máxima com busca ativa por oportunidades profissionais e acadêmicas no exterior em até seis meses. Este range é bem abrangente mas com metas claras e considerando o nível de energia que pretendo colocar no empreendimento, é factual e realizável.
Pretendo compartilhar aqui meu progresso no aprendizado do inglês. Se acaso alguém tiver interesse em conversar a respeito, entre em contato comigo que ficarei contente em discutir sobre o assunto.
Até a próxima.