Pessoal

Sobre 2025

Sobre 2025

Reflexões de um final de ano

O ano de 2025 se despede com um misto de realizações pessoais e fracassos. Qualquer pessoa honesta o suficiente reconhece que nem todos os seus objetivos foram alcançados. Mudanças de rota, alterações de metas e abandonos de projetos são mais comuns do que as personalidades da Internet querem fazer parecer ser.

Devemos concordar que os fracassos devem diminuir com o passar do tempo, especialmente quando somos autocríticos e almejamos melhorias, ou ainda, quando simplemesmente temos sorte. A sorte é um fator preponderante e quase imperceptível em nossas vidas. Queremos dar mais mérito às decisões inteligentes que tomamos do que ao mero acaso.

Meu ano de 2025 esteve sob efeito deste pêndulo indiferente da fortuna. Realizações? As tive consideravelmente. Entrei na pós graduação de uma Universidade Federal, publiquei meu primeiro artigo (ainda que tíbio e medíocre), participei de eventos acadêmicos, cursei disciplinas que sempre quis, passei com notas máximas, empenhei-me em aprender coisas que nunca havia me debruçado o suficiente (elementos de matemática, física e idiomas). Saindo do escopo acadêmico, no âmbito profissional, concluí obras, mantive minha empresa, empreguei pessoas. Fracassos? Posso dizer que são consequências do desequílibrio de ter me dedicado em excesso a outras áreas da vida: não vendi o suficiente, fiz minha empresa passar por uma crise existencial que colocou em xeque o futuro dela. Tomei más decisões de negócios e não fui firme o suficiente em situações que eu tinha amplo direito de ser.

Mas não quero passar a limpo o que aconteceu ou não no ano. O resumo desta apuração é o seguinte: sou grato por tudo o que aconteceu. Como aprendiz do estoicismo sei que o que aconteceu, acontenceu por que assim devia ser. Aquilo que fugiu das rédeas do meu controle, ou foi porque eu o permiti ou foi fruto do acaso e, portanto, não deveria me atingir. Aquilo sobre o qual não podemos exercer poder algum, não deve ser objeto de nossas preocupações. Reconhecer isso é um exercício de reflexão e autoconhecimento.

O que defendo aqui não é a passividade sob as circunstancias da vida, mas reclamar para si o controle sobre a vida, tanto no que diz respeito aos rumos que ela toma, quanto os efeitos que nos permitimos sentir diante das obras do acaso. A passividade é um mal e contra a vida. Neste sentido, eu adoro o poema Canção do Tamoio de Gonçalves Dias que canta a vida da forma que ela é: luta, combate, fracasso ou sucesso:

Canção do Tamoio

Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida: Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos,
Só pode exaltar.

Um dia vivemos!
O homem que é forte
Não teme da morte;
Só teme fugir;
No arco que entesa
Tem certa uma presa,
Quer seja tapuia,
Condor ou tapir.

O forte, o cobarde
Seus feitos inveja
De o ver na peleja
Garboso e feroz;
E os tímidos velhos
Nos graves conselhos,
Curvadas as frontes,
Escutam-lhe a voz!

Domina, se vive;
Se morre, descansa
Dos seus na lembrança,
Na voz do porvir.
Não cures da vida!
Sê bravo, sê forte!
Não fujas da morte,
Que a morte há de vir!

E pois que és meu filho,
Meus brios reveste;
Tamoio nasceste,
Valente serás.
Sê duro guerreiro,
Robusto, fragueiro,
Brasão dos tamoios
Na guerra e na paz.

Teu grito de guerra
Retumbe aos ouvidos
D’imigos transidos
Por vil comoção;
E tremam d’ouví-lo
Pior que o sibilo
Das setas ligeiras,
Pior que o trovão.

E a mãe nestas tabas,
Querendo calados
Os filhos criados
Na lei do terror;
Teu nome lhes diga,
Que a gente inimiga
Talvez não escute
Sem pranto, sem dor!

Porém se a fortuna,
Traindo teus passos,
Te arroja nos laços
Do inimigo falaz!
Na última hora
Teus feitos memora,
Tranqüilo nos gestos,
Impávido, audaz.

E cai como o tronco
Do raio tocado,
Partido, rojado
Por larga extensão;
Assim morre o forte!
No passo da morte
Triunfa, conquista
Mais alto brasão.

As armas ensaia,
Penetra na vida:
Pesada ou querida,
Viver é lutar.
Se o duro combate
Os fracos abate,
Aos fortes, aos bravos,
Só pode exaltar.

Meu aprendizado deste poema é de viver a melhor vida que eu posso, sem fraquejar e lutando por aquilo que almejo, sem medo, sem recuos. Que venha 2026 e que tomemos o controle de nossas vidas!

Happy new year!

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