Produtividade

Sobre criar

Sobre criar

Consumo x criação

Durante muitos anos fui um consumidor passivo de conteúdo. Arte, música, literatura e engenharia. Se algo me parece bom, digno de apreciação da minha curiosidade, imediatamente colocava-me a consumir.

Primeiro, por conteúdo, entendo qualquer meio de comunicação que possa ser assimilado pelo intelecto. Pode ser um livro, um filme, uma série, um vídeo no Youtube, uma música. Manifestações artítisticas ou intelectuais praticadas por terceiros. Encontrados, especialmente, na internet.

A ideia de eu próprio poder realizar estas atividades sempre me ocorreu. A vontade de escrever, de produzir uma música, de produzir um vídeo. Porém, algo que é notório nos tempos da internet, é a avalanche de conteúdos. A proliferação de conteúdos por toda a parte que disputam nossa atenção. Em uma procissão infinita, conteúdo atrás de conteúdo suga a nossa alma, entregando em troca uma alienação da realidade. Não digo nem que seja algum tipo de prazer, mas sim, a simples fuga temporária da realidade e suas dores mundanas.

Encontrar a vontade e, mais que tudo, a coragem de criar meus prórpios conteúdos é um desafio imenso para quem sempre foi ensinado a consumir. A ouvir os professores, a contemplar o que outros faziam. Isso gerou em mim, uma compreensão superficial do que pode ser bom, vendo no que terceiros faziam, as suas qualidades, os seus acertos. Mas consumir miríades de fontes não garante que eu seja capaz de gerar algo bom. De escrever, de musicar ou comunicar algo bom.

É a prática que permite que isso ocorra. E ela precisa andar de mãos dadas com o consumo passivo. Ser um criador é fazer algo por mim mesmo. É condensar o que já foi visto. É fixar no tempo aquilo que importa. Nossa memória perde informação ao longo dos anos. Consumir não serve para nada neste contexto. De que adianta entender sobre algo, compreender suas nuances, se logo será esquecido?

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